Instituto PCI publica Diagnóstico dos Pactos PCI e aponta caminhos para ampliar a estratégia em Mato Grosso

Participantes do evento de formalização do Pacto PCI de Nova Xavantina reunidos em grupo, em sala com cadeiras

O Instituto Produzir, Conservar e Incluir (IPCI) publica o Diagnóstico dos Pactos PCI, primeira avaliação integrada dos Pactos PCI regionais em Mato Grosso. O levantamento analisa a implementação dos Pactos até julho de 2026, considerando trajetória, governança, atores envolvidos, metas municipais, iniciativas, investimentos e cadeias produtivas.

O estudo e o trabalho de estruturação e fortalecimento dos Pactos foram realizados com apoio da Fundação Walmart, por meio do Earth Innovation Institute (EII), entre maio de 2024 e outubro de 2026. A avaliação contempla diferentes territórios e realidades econômicas e ambientais, incluindo Amazônia, Cerrado e áreas de influência do Pantanal.

Capa do Diagnóstico dos Pactos PCI: relatório de avaliação dos Pactos PCI regionais Vale do Juruena, Oeste, Araguaia e Alto Teles Pires

Na prática, o diagnóstico permite observar como o modelo vem sendo aplicado nos municípios, identificar diferentes níveis de maturidade e reunir aprendizados para fortalecer os Pactos existentes. Os resultados oferecem subsídios para aprimorar o planejamento e o monitoramento e orientar a expansão para outras regiões.

Estratégia PCI conecta produção, conservação e inclusão

A Estratégia Produzir, Conservar e Incluir foi lançada pelo Governo de Mato Grosso durante a COP21, realizada em Paris, em 2015. Sua proposta é promover o desenvolvimento socioeconômico por meio do uso sustentável da terra, articulando os eixos Produzir, Conservar e Incluir.

No eixo produtivo, a estratégia prevê, entre outros objetivos, ampliar a produção de forma sustentável em áreas já abertas. Na conservação, estão a proteção da vegetação nativa, a regularização ambiental e o cumprimento do Código Florestal. Já o eixo de inclusão contempla agricultura familiar, povos indígenas e comunidades tradicionais.

O IPCI atua na implementação dessa agenda e na conexão entre poder público, setor privado e sociedade civil. Reconhecido pelo Estado por meio do Decreto nº 46/2019, o IPCI tem entre suas atribuições articular atores, identificar oportunidades de captação de recursos e gerir e monitorar programas e projetos relacionados à estratégia.

Pactos levam a estratégia aos municípios

É nos territórios que os Pactos PCI transformam os objetivos estaduais em agendas locais. O modelo reúne poder público, setor produtivo, sociedade civil e outros atores em uma estrutura de governança voltada à definição e ao acompanhamento de metas municipais.

Segundo o Diagnóstico dos Pactos PCI, atualmente existem 14 Pactos municipais distribuídos por cinco regiões de Mato Grosso. A avaliação concentra-se em 12 municípios, observando experiências com diferentes estágios de implantação e maturidade institucional.

Vale do Juruena

Criado em maio de 2018, o Pacto do Vale do Juruena abrange Juína, Juruena e Cotriguaçu. De acordo com o Diagnóstico dos Pactos PCI, o território combina elevada cobertura florestal com atividades produtivas e presença de terras indígenas e unidades de conservação.

O levantamento registra avanços em áreas como produção de grãos, manejo florestal sustentável, cafeicultura e piscicultura. Desde 2025, o Pacto passa por um processo de retomada, com novos Memorandos de Entendimento firmados com as prefeituras entre 2024 e 2026 e atuação de uma Secretaria Executiva desde março de 2026.

Barra do Garças e Sorriso

Em Barra do Garças, o Pacto criado em 2019 se destaca pelo nível de institucionalização. O diagnóstico registra lei municipal própria, Comitê Gestor e revisões das 26 metas em 2022 e 2025. Entre os avanços observados estão recuperação de pastagens, regularização ambiental e turismo.

Sorriso, por sua vez, representa uma das principais regiões agrícolas do estado. Dados da Produção Agrícola Municipal (PAM), do IBGE, mostram que o município alcançou R$ 7,2 bilhões em valor da produção agrícola em 2024, a maior marca entre os municípios brasileiros. Foram colhidas 2,08 milhões de toneladas de soja naquele ano.

Em Sorriso, o diagnóstico aponta expansão da assistência técnica às famílias, avanços na regularização fundiária da agricultura familiar e ampliação do CAR. A experiência de Sorriso também serve de base para a incorporação de outros municípios, em uma articulação chamada Pacto Regional do Alto Teles Pires.

Oeste de Mato Grosso e Querência

No Oeste de Mato Grosso, seis Pactos foram formalizados entre 2024 e 2025: Tangará da Serra, Diamantino, Alto Paraguai, Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de Júlio.

Eles integram a Iniciativa de Paisagem do Oeste de MT, desenvolvida com diferentes parceiros e investidores. Dentre as entregas registradas, estão:

  • grupos de governança locais nos municípios,
  • Certificação RTRS e boas práticas agropecuárias,
  • restauração de áreas de APP e pagamentos por serviços ambientais,
  • Viveiros municipais e
  • Planos Municipais de Agricultura Familiar e Indígena.

Já Querência é o Pacto mais recente entre os avaliados. Formalizada em 17 de julho de 2025, teve sua Secretaria Executiva viabilizada pelo projeto apoiado pela Fundação Walmart, por meio do EII.

O diagnóstico destaca a criação do Comitê Gestor e das metas municipais, além da implementação do Plano de Manejo Integrado do Fogo, com diagnósticos, oficinas e capacitação de brigadistas.

Diagnóstico identifica avanços e desafios para os Pactos PCI

Apesar das diferenças entre os territórios, a análise encontra elementos comuns que ajudam a explicar a consolidação do modelo. Ao mesmo tempo, identifica obstáculos que precisarão ser enfrentados para a expansão da iniciativa.

Governança e articulação avançam nos territórios

Entre os principais resultados apontados estão a estruturação de Comitês Gestores, regimentos e metas municipais, além da presença das Secretarias Executivas e da ampliação da rede de parceiros.

Esse movimento também aparece em informações recentes do IPCI. Em 2026, a instituição informou avanços na formalização dos compromissos municipais e na revisão dos Memorandos de Entendimento, incluindo Sorriso e Barra do Garças.

A estruturação dos Pactos também recebe apoio de outras iniciativas. Em fevereiro de 2026, por exemplo, o Programa REM MT informou investimento de R$ 1,2 milhão na estruturação do IPCI e em atividades relacionadas aos Pactos, incluindo a ampliação da governança em municípios prioritários.

Desafio é ampliar a autonomia local

O diagnóstico, entretanto, identifica diferentes níveis de maturidade entre os Comitês Gestores. Em alguns territórios, ainda há necessidade de esclarecer responsabilidades, fortalecer capacidades técnicas locais e ampliar a disponibilidade de recursos flexíveis.

Outro ponto é a qualidade das metas e das informações disponíveis. O estudo recomenda indicadores mais mensuráveis e bases locais mais consistentes, especialmente nas agendas relacionadas à agricultura familiar e aos povos indígenas.

Estudo propõe modelo para ampliar a Estratégia PCI

Diante dos aprendizados reunidos, o Diagnóstico dos Pactos PCI recomenda uma expansão organizada em três níveis:

  • Pactos Estruturantes,
  • Pactos Regionais,
  • Municípios Associados.

A proposta busca criar condições para ampliar gradualmente a Estratégia PCI para os 142 municípios de Mato Grosso. Além disso, o documento recomenda formar lideranças locais, fortalecer Secretarias Executivas regionais e levar instrumentos de monitoramento, como o MRV utilizado no Oeste, para outras regiões.

Outra frente envolve ampliar a carteira de projetos e diversificar fontes de financiamento, com oportunidades relacionadas à restauração, bioeconomia, carbono e cadeias produtivas livres de desmatamento.

O estudo também recomenda aumentar a participação de mulheres, jovens, povos indígenas e agricultores familiares nas estruturas de governança.

Novos Pactos ampliam alcance da estratégia

O movimento de expansão ganhou novos capítulos em 2026. Conforme o diagnóstico, Nova Mutum assinou Memorando de Entendimento como primeiro passo para o futuro Pacto Regional do Alto Teles Pires, estruturado a partir da experiência de Sorriso.

Equipe do Instituto PCI e representantes da prefeitura de Nova Mutum reunidos em frente a painel com o brasão do município
Reunião de apresentação do Instituto PCI e alinhamento com a prefeitura de Nova Mutum (10/06/2026)

Nova Xavantina, por sua vez, formalizou seu Pacto em 15 de julho de 2026. As próximas etapas previstas incluem a criação do Comitê Gestor, a construção participativa das metas municipais e a realização de diagnóstico socioeconômico e ambiental.

Prefeito de Nova Xavantina e equipe do Instituto PCI posam com o Memorando de Entendimento assinado
Assinatura do Memorando de Entendimento com o Prefeito Municipal (15/07/2026)

Com experiências construídas em territórios distintos, o Diagnóstico dos Pactos PCI reúne os aprendizados obtidos até 2026 e transforma essa trajetória em referência para a próxima etapa.

Quer saber mais sobre os compromissos, estratégias e as ações que impulsionam o desenvolvimento sustentável em Mato Grosso? Acesse o Portal IPCI e leia o Diagnóstico dos Pactos PCI completo (PDF).