Novos Projetos IPCI ampliam ações de produção sustentável e conservação em Mato Grosso

Equipe reunida no Centro de Apoio ao Produtor (CAP) de Nova Xavantina

Os Novos Projetos IPCI reforçam uma estratégia que conecta governo, setor produtivo e sociedade civil. Entre as entregas previstas estão o fortalecimento dos Pactos PCI, apoio à pecuária sustentável e à rastreabilidade, restauração de áreas degradadas e mecanismos que aproximem produtores rurais de crédito e financiamento sustentável.

As iniciativas envolvem organizações nacionais e internacionais e abrangem produção agropecuária, conservação, restauração, prevenção a incêndios, regularização ambiental e acesso a instrumentos financeiros.

O movimento ocorre em um dos principais territórios agropecuários do Brasil. Dados oficiais de 2025 apontaram Mato Grosso na liderança nacional na produção de grãos, com participação de 30,9% do total brasileiro. Já o rebanho bovino mato-grossense somava 32,1 milhões de animais em levantamento divulgado no mesmo ano.

Estratégia leva desenvolvimento sustentável aos territórios

A ampliação dos projetos dá continuidade à Estratégia Produzir, Conservar e Incluir (PCI), lançada por Mato Grosso durante a COP21, em Paris, em 2015. A iniciativa busca conciliar expansão e eficiência da produção agropecuária e florestal, conservação da vegetação nativa, recomposição de passivos ambientais e inclusão socioeconômica.

A governança da Estratégia foi institucionalizada pelo Decreto nº 468/2016 e, a partir de 2019, passou a contar com a colaboração do Instituto PCI na implementação das ações, conforme estabelecido pelo Decreto nº 46/2019.

Nos territórios, parte desse trabalho é desenvolvida pelos Pactos PCI, arranjos que articulam poder público, setor produtivo e sociedade civil em torno de metas compartilhadas. Diagnóstico divulgado em 2026 aborda Pactos nas regiões do Vale do Juruena, Alto Teles Pires, Araguaia e Oeste de Mato Grosso, com diferentes níveis de maturidade.

Essa atuação também está associada às metas estaduais para 2030. Entre elas estão a recuperação de 2,5 milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade e a manutenção de 60% da cobertura de vegetação nativa de Mato Grosso.

Projetos conectam prevenção, produção e conservação

A nova carteira combina diferentes frentes de atuação. Embora tenham objetos e territórios próprios, as iniciativas convergem para ampliar a capacidade local de colocar as metas da Estratégia PCI em prática.

Prevenção de incêndios e positividade florestal

Com apoio da Fundação Walmart, o projeto do Earth Innovation Institute (EII), previsto de setembro de 2026 a agosto de 2028, apoiará dez Pactos Municipais na elaboração de planejamentos integrados para reduzir incêndios florestais, tornar a produção agropecuária mais sustentável e proteger e restaurar florestas.

O trabalho será realizado em colaboração com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso e também pretende aproximar a positividade de carbono florestal da agenda da SEMA-MT, do Instituto PCI e dos Pactos.

Estão previstos ainda o redesenho da Plataforma de Monitoramento do PCI e a estruturação do Fundo Territorial de Inovação, com meta inicial de capitalização de US$ 2 milhões e um primeiro edital direcionado aos Pactos.

Pecuária sustentável e rastreabilidade ganham apoio regional

No Vale do Juruena e em Barra do Garças, o projeto Pecuária Sustentável MT, com a IDH e execução prevista até dezembro de 2026, busca fortalecer a governança estadual dessa agenda e integrar os Pactos PCI aos Centros de Apoio ao Produtor (CAP 2.0) e à rede de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER).

Equipe do Instituto PCI e parceiros posam com o banner da Estratégia PCI durante o workshop técnico do CAP 2.0 em Juruena

As ações incluem oficinas, engajamento de produtores, ferramentas de rastreabilidade e conformidade socioambiental, além do desenho de instrumentos econômicos voltados à atividade pecuária. A IDH já figura entre os financiadores institucionais do Instituto PCI e mantém atuação relacionada à Estratégia no estado.

Araguaia avança em conformidade ambiental e acesso a mercados

Outra frente, desenvolvida com a The Nature Conservancy (TNC Brasil), concentra-se no Pacto Nova Xavantina e na abordagem jurisdicional para mercados. Entre julho de 2026 e agosto de 2027, a proposta é consolidar o CAP de Nova Xavantina como referência regional em conformidade ambiental e rastreabilidade.

Produtores receberão capacitações vinculadas ao PREM e ao Passaporte Verde. Além disso, estão previstos estudos técnicos para integrar dados ambientais e informações de rastreabilidade bovina individual ao Portal da Transparência de Mato Grosso.

Finanças e restauração aproximam conservação e atividade produtiva

Além de fortalecer estruturas locais, os Novos Projetos IPCI procuram enfrentar um desafio recorrente da agenda ambiental: criar condições econômicas para que produção, regularização e conservação avancem juntas.

Crédito sustentável chega mais perto dos produtores

No Oeste de Mato Grosso, o Instituto PCI integra o piloto Finanças para Paisagens Resilientes (F4RL), liderado pela Proforest com recursos do HSBC. O projeto prevê diagnóstico da paisagem, entrevistas com produtores sobre acesso a mecanismos financeiros, estruturação de monitoramento, governança e salvaguardas, além de ações relacionadas à regularização ambiental e fundiária e ao associativismo. A iniciativa dialoga com um histórico mais amplo de atração de recursos para a Estratégia PCI.

Restauração busca ganhar escala no campo

Outra iniciativa, desenvolvida com a Mercuria e a Geonoma como parceira técnica, pretende organizar produtores interessados na restauração de passivos do Código Florestal.

A fase inicial terá duração de 12 meses e atuação em três regiões: Vale do Juruena, com área piloto em Juína; BR-163/Alto Teles Pires, abrangendo Sorriso e Nova Mutum; e Tangará da Serra.

A meta apresentada pelo projeto é reunir pelo menos 5 mil hectares por região. A proposta prevê a organização dos produtores em Sociedades de Propósito Específico (SPEs), com o objetivo de viabilizar créditos de carbono de alta integridade.

Participantes reunidos em volta de mesa de reunião, com logo do Sindicato Rural de Sorriso ao fundo

Soja responsável, água e regularização ambiental integram nova frente

A atuação territorial também ganha uma iniciativa de paisagens sustentáveis apoiada pela McDonald’s Corporation. O projeto reúne produção de soja, regularização ambiental, resiliência hídrica e agricultura regenerativa nos Pactos PCI Oeste de Mato Grosso e Araguaia, incluindo Querência.

A iniciativa busca ampliar a adoção do conceito de commodities livres de desmatamento e conversão (DCF), além de apoiar produtores na certificação RTRS e no acesso ao Responsible Commodities Facility (RCF).

Reunião em escritório, com participantes em volta de mesa redonda de madeira

Também estão previstas ações para consolidar um sistema de Pagamento por Serviços Ambientais em Tangará da Serra, apoiar a validação de Cadastros Ambientais Rurais e promover restauração ativa e por regeneração natural.

Na ponta, os contratos e parcerias preveem entregas mensuráveis. Entre elas estão 125 hectares de vegetação nativa em restauração nas bacias dos rios Paraguai e Xingu, dos quais 25 hectares com plantio de mudas nativas e 100 hectares por regeneração natural, além do apoio para que dez fazendas produtoras de soja avancem na certificação RTRS.

Oito pessoas posam lado a lado diante de parede branca

Também estão previstos apoio à divulgação de linhas de crédito associadas à produção responsável, fortalecimento do CAP de Nova Xavantina e atualização do mapeamento das pastagens de Mato Grosso.

Nesse último caso, o trabalho será executado pelo LAPIG/UFG em parceria com IMAC, Famato e Acrimat e acompanhará, entre outros indicadores, a meta estadual de recuperar 2,5 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2030. A meta dos 2,5 milhões de hectares também consta entre os objetivos oficiais da Estratégia PCI.

Parcerias ampliam capacidade de execução da Estratégia PCI

A nova carteira envolve financiadores, poder público, organizações técnicas e representantes do setor produtivo. De acordo com o briefing do Instituto PCI, estão entre os parceiros Fundação Walmart, via EII, IDH, TNC Brasil, Proforest/HSBC, Mercuria e McDonald’s Corporation, além da SEMA-MT, Casa Civil, Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, prefeituras, consórcios municipais, Famato, Acrimat, sindicatos rurais, Geonoma e Comitês Gestores dos Pactos PCI.

O esforço amplia uma estrutura que vem sendo fortalecida nos últimos anos. Em fevereiro de 2026, o Programa REM MT informou investimento de aproximadamente R$ 1,2 milhão para apoiar a estruturação organizacional e financeira do Instituto PCI e o trabalho desenvolvido nos Pactos.

Ao conectar recursos, assistência técnica, monitoramento, crédito, regularização ambiental e articulação territorial, os Novos Projetos IPCI avançam sobre uma etapa decisiva da Estratégia, que é transformar metas estaduais em ações concretas nos municípios.

O objetivo comum é criar condições para que produção agropecuária, conservação da vegetação nativa e desenvolvimento econômico caminhem de forma integrada nos territórios de Mato Grosso.

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