Semana do clima de NYC 2026 reconhece experiências de Mato Grosso como referência no debate climático global

Richard Smith, diretor-executivo do Instituto PCI, apresenta mapa de Mato Grosso diante de plateia sentada em círculo, na Semana do Clima de NYC 2026

A Semana do Clima de NYC 2026 colocou a implementação de soluções climáticas no centro das discussões internacionais entre 20 e 27 de setembro, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Organizado pelo Climate Group em coordenação com a Assembleia Geral das Nações Unidas, o encontro reuniu governos, empresas, bancos, setor produtivo, lideranças e organizações da sociedade civil para discutir caminhos para uma economia de baixo carbono.

Com os eixos Energia, Impacto e Ação, a Semana do Clima de NYC 2026 abordou temas que vão da transição energética às mudanças nos sistemas de produção de alimentos, passando por financiamento, infraestrutura, tecnologia e conservação dos recursos naturais. O balanço oficial divulgado após o evento registra mais de 1.500 eventos e 120 mil participantes ao longo da semana.

A programação foi distribuída em 12 eixos temáticos onde o Mato Grosso integrou essa agenda por meio da participação do diretor-executivo do Instituto Produzir, Conservar e Incluir (Instituto PCI), Richard Smith, que esteve em Nova Iorque entre 20 e 24 de setembro para representar a instituição e o Governo do Estado de Mato Grosso em painéis, encontros e reuniões bilaterais.

Richard Smith, diretor-executivo do Instituto PCI, apresenta mapas de Mato Grosso a participantes em sala de reunião durante a Semana do Clima de NYC 2026

A presença permitiu apresentar experiências desenvolvidas no território mato-grossense e ampliar discussões sobre produção agropecuária, conservação ambiental, redução do desmatamento, cadeias sustentáveis e acessar mecanismos de financiamento climático.

Governos subnacionais ganham espaço no combate ao metano

A primeira agenda ocorreu em 21 de setembro que contou com a presença do diretor Richard Smith como painelista do “The Super Pollutant Sprint: Local Leadership, Global Results“, evento inserido na programação da Semana do Clima de NYC 2026 e relacionado à Subnational Methane Action Coalition (SMAC).

A programação oficial apresentou o encontro como uma oportunidade para discutir como governos subnacionais estão transformando compromissos relacionados aos super poluentes, tais como o metano, em ações e resultados. Em MT a intensificação produtiva da pecuária, a redução do desmatamento e dos incêndios florestais, os avanços do Programa Passaporte Verde com o IMAC e técnicas de nutrição animal que reduzem a emissão de metano, estiveram entre as ações apresentadas.

A discussão reforçou a relevância da atuação de estados, províncias e regiões na execução de políticas públicas que tragam resultados na ponta. Ao aproximar experiências locais de uma agenda internacional, encontros como esse permitem discutir como medidas adotadas nos territórios podem contribuir para objetivos climáticos mais amplos.

Cerrado entra no debate sobre produção e conservação

Richard Smith, diretor-executivo do Instituto PCI, apresenta mapa de Mato Grosso diante de plateia sentada em círculo, na Semana do Clima de NYC 2026

A construção de cadeias produtivas mais sustentáveis também esteve entre as agendas da participação mato-grossense. Em 22 de setembro, Richard Smith participou de discussão com a iniciativa do Sustainable Landscapes Partnership (SLP), parceria do Soft Commodities Forum, do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), com a Forest Positive Coalition, do Consumer Goods Forum (CGF) e apoio técnico da Proforest.

A atuação conjunta das duas plataformas começou em 2020 com foco em regiões prioritárias produtoras de commodities no Cerrado brasileiro. A iniciativa busca apoiar a transição para paisagens produtivas resilientes e incentivar práticas relacionadas a paisagens sustentáveis.

Documentos da Sustainable Landscapes Partnership publicados em 2026 mostram ações relacionadas à produção sustentável, proteção de ecossistemas, restauração e planejamento de desenvolvimento local, além de identificar o IPCI entre os parceiros envolvidos na implementação das iniciativas em MT.

Para avançar nessa agenda, a colaboração entre os diferentes integrantes das cadeias de valor ganhou destaque no encontro. Os produtores de carne e soja, empresas de insumos, compradores, parceiros públicos e privados e outros participantes precisam estar conectados para que os resultados possam alcançar as paisagens como um todo.

Richard Smith, do Instituto PCI, fala ao microfone diante de tela com o mapa dos Pactos PCI em Mato Grosso

REDD+ jurisdicional aproxima estratégias de governos e empresas com cadeias responsáveis

Participantes reunidos em torno de uma mesa em encontro sobre JREDD+ e cadeias de suprimentos, em Nova Iorque

Ainda em 22 de setembro, outra agenda no escritório das Nações Unidas em NY tratou da relação entre o REDD+ Jurisdicional, conhecido como JREDD+, e as estratégias empresariais relacionadas às cadeias de suprimentos.

O encontro reuniu partes interessadas para discutir como essas duas abordagens podem se fortalecer. A agenda da Governors’ Climate and Forests Task Force registra a realização da sessão “Linking JREDD and Supply Chains” em 22 de setembro, na sede do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Nova Iorque.

A discussão foi organizada pelo Earth Innovation Institute (EII), com participação do PNUD e diversos parceiros subnacionais, e partiu de um desafio comum aos setores público e privado: governos e empresas podem buscar objetivos semelhantes, mas utilizar formas diferentes para medir os avanços alcançados.

Métricas podem criar pontes entre diferentes iniciativas

Em publicação posterior ao evento, o Earth Innovation Institute destacou a oportunidade de aproximar política pública, JREDD+, mercados, compradores, financiamento e ações de cadeias produtivas por meio de métricas de desempenho jurisdicional.

A conversa incluiu prioridades definidas dentro das jurisdições, coordenação de diferentes fontes de financiamento e maneiras mais claras para a participação das empresas. Também foram discutidas possibilidades de testar essas abordagens e ampliar modelos que obtenham resultados positivos.

Para o IPCI, a participação permitiu apresentar a experiência desenvolvida em Mato Grosso em um debate voltado justamente à implementação territorial e os Pactos PCI (iniciativas municipais e regionais em paisagens específicas). A intenção é demonstrar como a articulação entre poder público, setor produtivo e parceiros pode contribuir para transformar objetivos climáticos em ações aplicadas no território.

White paper reforça conexão entre JREDD+ e cadeias sustentáveis

Painel com Richard Smith, diretor-executivo do Instituto PCI, durante a Semana do Clima de NYC 2026

A relação entre políticas jurisdicionais e iniciativas empresariais ganhou novo destaque em 24 de setembro, com a publicação de um white paper da Accountability Framework initiative (AFi), produzido com Conservation International e Proforest.

Intitulado como “Strengthening synergies between JREDD+ and sustainable supply chains to protect tropical forests“, o documento analisa como programas de JREDD+ e iniciativas de cadeias de suprimentos sustentáveis podem atuar de maneira complementar na proteção das florestas tropicais.

O estudo aponta que as duas abordagens apresentam potencial de benefício mútuo, mas ainda enfrentam barreiras para uma integração maior. Entre os obstáculos identificados estão diferenças metodológicas entre padrões relacionados à geração de créditos de JREDD+ e aqueles utilizados para contabilizar desmatamento e carbono nas cadeias produtivas.

Integração pode ampliar o impacto das iniciativas

O white paper recomenda, entre outros caminhos, ampliar o reconhecimento do desempenho jurisdicional em políticas e referenciais de cadeias livres de desmatamento e conversão e desenvolver sistemas compartilhados de monitoramento, reporte e verificação.

O documento também aborda formas de estimular a participação das empresas nos programas de JREDD+. A análise dialoga com a atuação descrita pelo IPCI em Mato Grosso.

Por estar presente em territórios do Cerrado e da Amazônia e trabalhar com diferentes atores, o Instituto busca conectar estratégias de desenvolvimento econômico, produção agropecuária e conservação ambiental.

Participação amplia a presença de Mato Grosso na agenda internacional

Além da participação como painelista, Richard Smith acompanhou outros encontros e realizou reuniões bilaterais durante a Semana do Clima de NYC 2026, segundo informações fornecidas pelo IPCI.

Para a instituição, estar presente em um dos principais encontros internacionais dedicados à pauta climática cria oportunidades para ampliar conexões com governos, empresas, organizações, investidores e possíveis parceiros. Também oferece um espaço para apresentar iniciativas desenvolvidas em Mato Grosso diretamente a atores envolvidos nas agendas de clima, agricultura, natureza e financiamento.

A participação também fortalece o diálogo em torno da proposta que orienta a Estratégia PCI: integrar produção, conservação e inclusão dentro de um mesmo território. Nesse modelo, temas como agricultura, pecuária, florestas, biodiversidade, carbono, governança e finanças deixam de ser tratados isoladamente e passam a compor uma estratégia territorial.

Essa abordagem encontra espaço em uma discussão climática internacional cada vez mais direcionada à implementação. A própria Semana do Clima de NYC 2026 estruturou a edição de 2026 em torno de Energia, Impacto e Ação, reunindo atores responsáveis por decisões relacionadas a políticas públicas, mercados, investimentos e desenvolvimento de uma economia de baixo carbono.

Ao participar das discussões sobre metano, paisagens produtivas, JREDD+ e cadeias sustentáveis, o IPCI busca apresentar Mato Grosso como um território onde diferentes setores podem trabalhar de maneira articulada para conciliar produção e conservação.

Para o Instituto, o próximo passo é transformar a visibilidade e as conexões construídas em fóruns internacionais em novas parcerias e oportunidades capazes de contribuir para projetos nos territórios de atuação em MT.

Dessa forma, a participação na Semana do Clima de NYC 2026 conecta a experiência bem-sucedida de Mato Grosso a uma questão central da agenda climática atual: como transformar compromissos globais em investimentos, ações e resultados locais.