A Reunião Ampliada do Comitê de Monitoramento do Instituto PCI, realizada em 9 de julho de 2026, marcou uma etapa relevante na trajetória da iniciativa ao reunir representantes do poder público, setor produtivo, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e cooperação internacional para avaliar dez anos de resultados e discutir prioridades até 2030.
Mais do que apresentar indicadores, o encontro consolidou um espaço de diálogo estratégico para fortalecer a governança da Estratégia Produzir, Conservar e Incluir (PCI) e orientar ações voltadas ao desenvolvimento sustentável de Mato Grosso.
Dez anos depois, o Instituto PCI consolida dados e mira nova etapa da agenda sustentável
Ao completar dez anos de monitoramento, a Estratégia PCI reafirma seu papel como uma das principais iniciativas jurisdicionais voltadas ao desenvolvimento sustentável no Brasil.
Nova governança amplia articulação entre governo, setor produtivo e sociedade civil
A abertura, conduzida por Richard Smith e Ricardo Woldmar, destacou o fortalecimento da governança institucional após a Assembleia Geral de abril de 2025, quando mais de 60 associados elegeram o novo Conselho de Administração para o período de 2025 a 2027.
Atualmente, o Instituto PCI possui R$ 12,7 milhões em contratos assinados e cerca de R$ 10 milhões em negociação com financiadores nacionais e internacionais, além de atuar em 12 municípios por meio de cinco Pactos Regionais PCI, com previsão de expansão para 14 municípios.
Reunião reúne 16 instituições para revisar metas da Estratégia PCI
Um dos diferenciais da reunião foi a diversidade de instituições participantes. Representantes de 16 organizações estiveram presentes, incluindo órgãos estaduais, setor produtivo, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e parceiros internacionais.
Indicadores revelam avanços nos três eixos da Estratégia PCI
Ricardo Woldmar apresentou uma síntese das 24 metas monitoradas pela Estratégia PCI, com avanços expressivos em diferentes indicadores e reconhecimento crescente entre parceiros públicos e privados.
Produção sustentável avança e supera metas inicialmente previstas em Mato Grosso
No eixo Produzir, diversos indicadores superaram metas inicialmente previstas. A recuperação de pastagens alcançou 3,6 milhões de hectares, acima da meta prevista de 2,5 milhões.
Também houve avanços na produtividade da pecuária, no etanol de milho, no manejo florestal sustentável e na área cultivada com grãos, que chegou a 12,4 milhões de hectares.
O maior desafio deste eixo encontra-se no setor de florestas plantadas, cuja área plantada totaliza 284 mil hectares e, portanto, bem abaixo dos 800 mil hectares planejados até 2030.
Conservação de vegetação nativa avança, mas regularização ambiental ainda desafia Mato Grosso
Na conservação ambiental, Mato Grosso avançou de forma consistente, embora metas estruturantes ainda exijam maior coordenação entre poder público, produtores rurais e organizações parceiras.
Mato Grosso mantém cobertura vegetal acima da meta e reduz desmatamento
Mato Grosso mantém 61,1% de cobertura de vegetação nativa, acima do compromisso de preservar, no mínimo, 60% do território estadual.
Os dados também mostram uma redução de 85% no desmatamento do Cerrado em relação à linha de base adotada pela Estratégia, superando a meta inicialmente prevista para 2024.
Na Amazônia mato-grossense, a redução chegou a 75%, enquanto os focos de calor caíram 60% no período analisado, desempenho superior à meta de redução de 30% definida para o programa.
CAR e regularização ambiental seguem como gargalos da agenda sustentável
Até 2024, a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) alcançava 19% da meta. A recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) degradadas contabilizava 18.526 hectares regularizados, diante de uma meta de 1 milhão de hectares, enquanto a regularização das Reservas Legais apresentava avanço de 0,2% da meta de 5,8 milhões de hectares.
No entanto, é importante destacar os avanços significativos alcançados com a implementação do SIMCAR 2.0 nos últimos dois anos. Segundo dados da SEMA, Mato Grosso contabiliza 156.858 CARs inscritos, dos quais 29,3% já haviam sido validados até julho de 2026.
Agricultura familiar impulsiona resultados do eixo Incluir
O eixo Incluir também apresentou avanços relevantes, especialmente em políticas voltadas à agricultura familiar, assistência técnica e inclusão produtiva.
Municípios ampliam adesão a programas de agricultura familiar
Entre os resultados apresentados, destaca-se a adesão de 140 municípios ao Sistema Estadual Integrado da Agricultura Familiar (SEIAF), praticamente universalizando a participação dos municípios mato-grossenses.
O acesso ao crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) também superou as expectativas, alcançando R$ 1,7 bilhão em financiamentos em 2025.
A participação dos produtos da agricultura familiar no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) também registrou crescimento expressivo, chegando a 52% das aquisições em 2024, percentual muito superior à meta de 30% estabelecida para 2030.
Falta de documentação fundiária limita avanço de metas sociais e ambientais
Embora os indicadores sociais tenham evoluído, a reunião reforçou que a regularização fundiária permanece como um dos principais obstáculos para o avanço integrado da Estratégia PCI.
Segundo os dados apresentados, até 2024 apenas 4,7% da meta de regularização fundiária em assentamentos federais havia sido alcançada, correspondendo à emissão de 4.403 títulos. No âmbito estadual, foram emitidos 1.568 títulos, o equivalente a 44% do total de processos protocolados junto ao INTERMAT entre 2019 e 2026.
A baixa regularização fundiária, continua sendo um dos principais entraves ao desenvolvimento sustentável, pois limita o acesso ao crédito rural, dificulta a regularização ambiental das propriedades e restringe a implementação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar.
Especialistas sugerem caminhos para o Instituto PCI avançar com as metas até 2030
Com o objetivo de definir as melhores estratégias de atuação do Instituto PCI nos próximos cinco anos, o Instituto PCI reuniu especialistas diretamente envolvidos com as metas monitoradas para compartilhar suas visões acerca dos principais riscos de cada setor, bem como apontar sugestões de atuação do Instituto PCI até 2030.
Painel aponta crédito, restauração e tecnologia como prioridades
No eixo Produzir, Daniel Latorraca (Acrimat) alertou que o saldo líquido de recuperação de pastagens é reduzido pela degradação concomitante, especialmente entre pequenos pecuaristas sem escala para integração lavoura-pecuária, e recomendou a simplificação normativa e a busca de linhas de crédito adequadas a esse perfil.
Fausto Takizawa (Arefloresta) apontou a necessidade de investimentos da ordem de R$ 10 a 16 bilhões para atingir as metas de florestas plantadas e propôs a implementação efetiva da Reposição Florestal e do Plano de Suprimento Sustentável previstos no Código Florestal.
Além disso, Claudinei Freitas (CIPEM) destacou as instabilidades causadas pela falta de integração entre os sistemas Sisflora, Autex, SINAFLOR e SEFAZ e sugeriu que o iPCI articule soluções junto aos órgãos ambientais, além de apoiar a capacitação de mão de obra e a estruturação de concessões florestais no estado.
No eixo Conservar, Felipe Klein (SEMA) apresentou a estratégia de escalar a validação do CAR e do PRA, com ênfase na regularização de cerca de 80 mil cadastros em assentamentos e no monitoramento automatizado da recuperação ambiental.
Alex Marega (SEMA) informou que Mato Grosso poderá registrar o menor desmatamento de sua história em 2025/2026 e sugeriu que o iPCI se posicione como operador da estratégia estadual de ativos ambientais. Fernanda Xavier (IPAM) destacou a viabilidade do Programa Conserv, mas alertou para a necessidade de conectá-lo a políticas públicas e diversificar suas fontes de financiamento para além de doações de curto prazo. Gledson Vieira Bezerra (Corpo de Bombeiros Militar) recomendou ampliar a adesão de produtores ao sistema SICRAIF e apoiar a implementação da nova Lei de Gestão Integrada do Fogo.
No eixo Incluir, Glieber Bellieni (SEAF) argumentou que o principal legado do iPCI seria atuar como agente integrador das ações governamentais e do terceiro setor voltadas à agricultura familiar, evitando sobreposições e concentrando esforços na resolução dos gargalos crônicos de regularização fundiária, ambiental e agregação de valor à produção, e destacou o potencial de articulação com o Projeto MT Produtivo, financiado pelo Banco Mundial.
As contribuições dos painelistas serão incorporadas ao planejamento estratégico do Instituto PCI e orientarão projetos, articulações institucionais e ações de comunicação até 2030.
Próximos cinco anos serão decisivos para consolidar as metas da Estratégia PCI
A Reunião Ampliada do Comitê de Monitoramento da Estratégia PCI evidenciou que os dez anos de acompanhamento sistemático consolidaram uma base técnica robusta para orientar as decisões que deverão conduzir as ações do Instituto PCI até 2030.
Entre as prioridades estão a aceleração da validação do CAR, o avanço da regularização fundiária, a ampliação da restauração ambiental, o fortalecimento de mecanismos econômicos para valorização da vegetação nativa e a expansão de soluções tecnológicas de monitoramento territorial.
A atuação integrada será decisiva para transformar os avanços da última década em resultados permanentes, conciliando competitividade econômica, conservação dos recursos naturais e inclusão social em Mato Grosso.
Com as contribuições do painel de especialistas, o Instituto PCI inicia um novo ciclo de planejamento orientado por evidências, cooperação institucional e visão de longo prazo, mantendo o compromisso com um Mato Grosso mais sustentável, produtivo e inclusivo até 2030.