A London Climate Action Week consolidou-se como um dos principais fóruns internacionais dedicados à discussão de soluções para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Realizada entre os dias 20 e 28 de junho de 2026, a iniciativa reuniu representantes de governos, instituições financeiras, empresas, organizações da sociedade civil e centros de pesquisa para debater estratégias capazes de acelerar a implementação de ações climáticas em um cenário global marcado por desafios geopolíticos, econômicos e energéticos.
Com o tema “Climate cooperation in a fragmented world” (“Cooperação climática em um mundo fragmentado”), o encontro reforçou a importância da colaboração internacional para ampliar investimentos, fortalecer a governança climática e impulsionar soluções que conciliam desenvolvimento econômico, conservação ambiental e segurança alimentar.
Nesse contexto, o Instituto PCI participou da programação internacional levando a experiência de Mato Grosso na construção e implementação de estratégias territoriais voltadas à produção de alimentos em escala, com conservação dos recursos naturais e inclusão social.
A participação reforça o reconhecimento da atuação desenvolvida em Mato Grosso por meio da Estratégia PCI, criando um modelo de referência para o financiamento climático e a implementação de paisagens resilientes.


London Climate Action Week reforça cooperação internacional na agenda climática
Mais do que um espaço para debates, a London Climate Action Week foi concebida para transformar compromissos políticos em iniciativas concretas de implementação, cooperação e financiamento climático.
Ao longo de nove dias de programação, representantes de diferentes setores compartilharam experiências, apresentaram soluções e discutiram mecanismos capazes de acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.
Evento reuniu diferentes setores em torno da ação climática
A edição de 2026 reuniu milhares de participantes distribuídos em centenas de painéis, fóruns, workshops e eventos paralelos realizados em diferentes espaços da cidade de Londres.
Entre os principais temas discutidos estiveram a mobilização de investimentos para a economia de baixo carbono, mecanismos inovadores de financiamento climático, adaptação às mudanças do clima, segurança alimentar, conservação da biodiversidade, resiliência de paisagens produtivas e aprimoramento da governança climática em diferentes escalas.

Debates buscam acelerar implementação de soluções até a COP31
A programação da London Climate Action Week também teve como foco aproximar os compromissos assumidos nas Conferências das Partes (COPs) da implementação prática nos territórios.
A expectativa é que as articulações construídas durante a semana contribuam para acelerar iniciativas relacionadas ao financiamento climático, conservação ambiental, adaptação às mudanças do clima e desenvolvimento sustentável, fortalecendo o caminho para as discussões que serão realizadas na COP31.
Representando a experiência de Mato Grosso na implementação de estratégias jurisdicionais de desenvolvimento sustentável, o Instituto PCI integrou a agenda da Semana do Clima de Londres.
Instituto PCI apresenta experiência de Mato Grosso em painel internacional organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)
Entre os destaques da participação do IPCI está o painel “Financing Nature for Climate, Food Security and Resilience”, organizado pelo Programa das Nações Unidas de Meio Ambiente (UN REDD+ Programme), com o Consórcio da Amazônia Legal e IPAM. O evento foi mediado pelo IPAM e reuniu representantes do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), PNUMA e Instituto PCI, apresentando .
“A discussão concentrou-se em um desafio central: a natureza proporciona múltiplos benefícios interconectados — estabilidade climática, segurança alimentar e hídrica, biodiversidade e resiliência —, mas os sistemas de financiamento permanecem insuficientes e amplamente fragmentados.
➡️ Vanessa Duarte (Consórcio Amazônia Legal) iniciou destacando o papel da Amazônia como provedora de benefícios públicos globais, enfatizando que “a floresta não é apenas carbono; é água, sistemas alimentares, meios de subsistência e estabilidade climática”.
➡️ André Guimarães (IPAM) enfatizou a necessidade de repensar o fluxo de capital para as paisagens, observando que os ecossistemas são atualmente financiados por meio de mecanismos desconectados, apesar de gerarem resultados integrados para a sociedade. Ele defendeu um alinhamento mais forte entre o financiamento e as realidades territoriais.
➡️ Mirey Atallah (diretora do PNUMA) destacou a oportunidade sistêmica que se apresenta: “Investir na natureza é investir em resiliência”. Ela enfatizou que ecossistemas saudáveis atuam como uma primeira linha de defesa contra choques climáticos, ao mesmo tempo em que sustentam a estabilidade econômica e social a longo prazo.
➡️ Richard Smith (diretor executivo do IPCI) concentrou-se nas experiências práticas do território de Mato Grosso e na necessidade de ampliar investimentos em paisagens resilientes, apontando para a necessidade de abordagens jurisdicionais e territoriais que consigam conciliar a produção de alimentos, conservação e desenvolvimento inclusivo.
➡️ Giulia Carbone (diretora do WBCSD) trouxe a perspectiva do setor privado, destacando que as empresas estão cada vez mais conscientes de sua dependência da natureza, mas que transformar essa consciência em decisões reais de investimento continua sendo uma lacuna importante, especialmente para além dos mercados de carbono e das equipes de “ESG” (setor de meio ambiente e responsabilidade social das empresas).
Ao longo do painel, surgiu uma mensagem comum: o desafio não é mais provar o valor da natureza, mas redesenhar os sistemas financeiros para refleti-lo. A transição do financiamento fragmentado de projetos para o investimento integrado em paisagens exigirá uma coordenação mais forte entre governos, comunidades, empresas e instituições financeiras.”
(Com informações do linkedin do PNUMA / ONU REDD+)

Financiamento de paisagens resilientes ganha espaço nas discussões globais
As discussões promovidas durante a London Climate Action Week reforçaram a necessidade de ampliar os modelos de financiamento voltados às paisagens resilientes, superando iniciativas baseadas exclusivamente em projetos isolados e setoriais.
Os debates evidenciaram que enfrentar os desafios climáticos exige mecanismos, inclusive os financeiros, capazes de reconhecer os múltiplos benefícios gerados pelos territórios, integrando conservação ambiental, produção de alimentos, desenvolvimento econômico e inclusão social.
Natureza passa a ser vista como ativo estratégico
Entre os principais pontos discutidos esteve a importância de alinhar os sistemas financeiros aos benefícios dos ecossistemas naturais, fortalecendo as Soluções Baseadas na Natureza (Nature Based Solutions / NBS) como estratégias ou ferramentas que conseguem reunir preservação e financiamento.
Dentre os exemplos dessas NBS estão:
Conservação florestal (REDD+);
Restauração florestal;
Pagamentos por Serviços Ambientais (para excedente de Reservas Legais, por ex.);
Agricultura Regenerativa (Bioinsumos, etc.);
Infraestrutura verde em cidades, entre outras.
Cooperação internacional fortalece a resiliência de paisagens
Em um cenário marcado por conflitos geopolíticos, insegurança energética e crescente fragmentação da cooperação entre países, os participantes da London Climate Action Week destacaram que iniciativas desenvolvidas em escala regional ganham ainda mais relevância.
A cooperação entre governos subnacionais, empresas, organizações da sociedade civil e instituições financeiras foi apontada como um dos caminhos para acelerar a implementação de soluções climáticas adaptadas às diferentes realidades dos territórios.
Estratégia PCI demonstra potencial de atuação integrada
Nesse contexto, a experiência desenvolvida em Mato Grosso foi apresentada como exemplo de articulação de longo prazo, construída com base na cooperação entre diferentes setores, demonstra como modelos de governança territorial podem contribuir para reduzir riscos, fortalecer políticas públicas e ampliar as ações do setor privado Ao integrar diferentes segmentos da sociedade em torno de objetivos comuns, a estratégia favorece a construção de soluções duradouras para os desafios relacionados às mudanças climáticas e ao uso sustentável da terra.
Participação internacional amplia oportunidades para Mato Grosso
A presença do Instituto PCI na London Climate Action Week também representou uma oportunidade para ampliar o diálogo com organizações internacionais e fortalecer novas parcerias voltadas ao financiamento de paisagens sustentáveis.
Além de compartilhar experiências desenvolvidas em Mato Grosso, a participação permitiu aproximar iniciativas estaduais das discussões que vêm orientando a agenda climática internacional.
